Critérios diagnósticos do TEA

Critérios diagnósticos do TEA

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) se baseia nas informações fornecidas pelos pais e responsáveis, na observação da criança e no resultado de avaliações padronizadas.

Porém, para estabelecer o diagnóstico definitivo, o neuropediatra se baseia em critérios definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais (DSM-V) e na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-11), elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Critérios diagnósticos

Os critérios essenciais do TEA são:

  • déficits na comunicação e interação social;
  • padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades

Essas características devem estar presentes desde a infância e provocarem prejuízos funcionais.

Déficits na comunicação

  • Comunicação verbal e não verbal pouco integrada, anormalidade no contato visual e linguagem corporal;
  • déficits na compreensão e uso de gestos;
  • ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal;
  • déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos;
  • dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos;
  • dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas;
  • dificuldade em fazer amigos;
  • ausência de interesse por pares.

Déficits na interação social

  • Dificuldade para estabelecer uma conversa normal;
  • compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto;
  • dificuldade para iniciar ou responder à interações sociais.

Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades

  • Movimentos motores, uso de objetos/fala estereotipados ou repetitivos (por exemplo alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas);
  • insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento (como sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente);
  • interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (por exemplo, forte apego ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos);
  • hiper ou hipo reatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (como indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento).

Níveis de gravidade

Interação e comunicação social

  • Nível 1 (necessita suporte):
    • prejuízo notado sem suporte;
    • dificuldade em iniciar interações sociais, respostas atípicas ou não sucedidas para abertura social;
    • interesse diminuído nas interações sociais; falência na conversação;
    • tentativas de fazer amigos de forma estranha e mal-sucedida.
  • Nível 2 (necessita de suporte substancial):
    • déficits marcados na conversação;
    • prejuízos aparentes mesmo com suporte;
    • iniciação limitada nas interações sociais;
    • resposta anormal/reduzida a aberturas sociais.
  • Nível 3 (necessita de suporte muito substancial):
    • prejuízos graves no funcionamento;
    • iniciação de interações sociais muito limitadas;
    • resposta mínima a aberturas sociais.

Comportamento restritivo/repetitivo:

  • Nível 1 (necessita suporte):
    • comportamento interfere significativamente com a função;
    • dificuldade para trocar de atividades;
    • independência limitada por problemas com organização e planejamento.
  • Nível 2 (necessita de suporte substancial):
    • comportamentos suficientemente frequentes, sendo óbvios para observadores casuais;
    • comportamento interfere com função numa grande variedade de ambientes;
    • aflição e/ou dificuldade para mudar o foco ou ação.
  • Nível 3 (necessita de suporte muito substancial):
    • comportamento interfere marcadamente com função em todas as esferas;
    • dificuldade extrema de lidar com mudanças;
    • grande aflição/dificuldade para mudar o foco ou a ação.

Condições associadas

Além do diagnóstico e classificação do TEA, é importante determinar as condições associadas que podem representar desafios adicionais ou necessitar de tratamento específico:

  • prejuízo intelectual;
  • prejuízo de linguagem;
  • condição médica ou genética conhecida;
  • outras desordens do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental;
  • catatonia.

O desafio do diagnóstico

Apesar dos critérios diagnósticos definidos e das múltiplas ferramentas de avaliação disponíveis, algumas vezes o diagnóstico do TEA é desafiador. Isso se deve, principalmente, à variedade de apresentação dos sinais e sintomas dentro do espectro.

Por isso, a presença de qualquer sinal de alerta e da suspeita de TEA deve ser abordada precocemente com as mesmas intervenções terapêuticas. Quanto mais precoce o tratamento, melhores os seus resultados!

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