Comportamentos desafiadores no autismo

Comportamentos desafiadores no autismo

Crianças e adolescentes com autismo podem apresentar comportamentos desafiadores, como: agressividade, hiperatividade, automutilação, surtos de ansiedade e agitação.

Muitas vezes, esses comportamentos representam um perigo para a saúde e integridade do indivíduo, além de poderem causar danos, estresse familiar e esgotamento do cuidador.

É possível, porém, criar estratégias para evitar ou minimizar os comportamentos indesejados e é sobre isso que vamos falar hoje!

Qual a função dos comportamentos desafiadores?

Na maior parte das vezes, os comportamentos acontecem para servir a uma função ou produzir um resultado. Tentar compreender, então, o motivo pelo qual a criança se comporta de determinada maneira é o primeiro passo para a solução do problema.

Se, por exemplo, o comportamento desafiador acontece para demonstrar o desejo por um brinquedo ou alimento, o caminho é substituir essa forma de “solicitação” por um meio de comunicação mais apropriado.

Sem a intervenção adequada, os comportamentos tendem a piorar e se tornam mais difíceis de corrigir. É importante, portanto, agir rapidamente e com mais precisão.

Vale ressaltar que, algumas vezes, os comportamentos podem ser um pedido de ajuda. Por trás do problema podem existir quadros médicos ou mentais que necessitam de tratamento específicos.

Distúrbios do sono, alterações sensoriais, alergia, dor, desconforto e transtornos psiquiátricos são frequentes no TEA e seu tratamento costuma se refletir em uma melhora do comportamento da criança.

Comportamentos desafiadores mais comuns

Nos momentos de crise da criança, podem ocorrer comportamentos desafiadores diversos, como:

  • agressividade;
  • automutilação;
  • crises de descontrole emocional.

Algumas causas que levam a esses comportamentos são:

  • a criança quer alguma coisa que não pode ter no momento;
  • desejo por atenção;
  • sensibilidades sensoriais alteradas (luz, som, texturas, temperatura, cheiro, movimento);
  • desconforto físico;
  • sobrecarga excessiva de atividades.

Um comportamento desafiador costuma ter causas e/ou gatilhos definidos. Descobrir quais são eles é essencial para evitar que o problema fuja do controle e para aprender qual a resposta mais apropriada.

Bernardo é uma criança com TEA de 5 anos de idade. Quando ele vai com a mãe às compras, frequentemente tem crises de agressividade, gritando, batendo e jogando objetos nas pessoas. Qual a melhor forma de lidar com o problema?

1- Gatilhos

Durante as compras, o excesso de estímulos sensoriais (luzes, barulhos) aliados ao cansaço físico, fazem com que Bernardo perca o controle.

2- Sinais de alerta

Com o passar do tempo, ele começa a balançar a cabeça, dar tapas na lateral das coxas e fica com o olhar mais parado.

3- Crise

Bernardo começa a dar socos, chutes, cuspir e jogar objetos nas pessoas.

4- Recuperação

Bernardo se acalma e pede água, comida ou para ir para casa.

5- Pós-crise

Bernardo volta a se concentrar em alguma tarefa.

No caso do Bernardo, a melhor resposta para cada fase seria:

  1. Conhecendo os gatilhos de bernardo, o ideal seria evitar o tipo de ambiente que o incomoda ou, pelo menos, ficar nele pelo menor tempo possível.
  2. Ao perceber os sinais de alerta, levar Bernardo para um local mais calmo, oferecê-lo água ou comida e sugerir uma atividade calmante.
  3. Durante a crise, tentar acalmá-lo com palavras calmas, porém firmes. Conduzi-lo a um local onde não possa se machucar ou aos outros. Em último caso, conter a criança.
  4. Durante a recuperação, oferecer o que ele pede (água, comida). Acalmar a criança.
  5. Após a crise e longe das outras pessoas, conversar calmamente com Bernardo sobre o que ocorreu e como ele poderia ter agido diferente.

Estratégias positivas para lidar com comportamentos desafiadores

O objetivo principal das estratégias positivas é ensinar habilidades de substituição e autorregulação. A punição pode funcionar de forma imediata, porém, a longo prazo, ela reforça e piora o comportamento desafiador.

Além disso, é importante aprender a perceber os sinais de frustração e ansiedade que geralmente levam a uma crise para intervir a tempo. Aprender a acalmar a situação é essencial para evitar o comportamento desafiador.

Adapte o ambiente

Com o tempo, é fácil perceber que os comportamentos desafiadores ocorrem mais frequentemente em determinados horários do dia e em ambientes específicos. Modificar alguns aspectos que circundam a criança é um passo importante na estratégia:

  • organize a rotina da criança de forma consistente e a apresente em um quadro de tarefas com imagens e mensagens claras;
  • perto do momento de mudar de tarefa, avise a criança. Se necessário, mostre o quadro de rotinas e use uma ampulheta ou um timer para indicar que outra atividade será iniciada;
  • evite luzes fortes, barulhos altos e outros estímulos específicos que possam distrair e/ou incomodar a criança.
Comunique-se com os outros

Não fique com vergonha. Se for preciso, comunique às pessoas ao redor as necessidades do seu filho e converse sobre algumas situações que podem ocorrer. Assim, todos estarão preparados para evitar ou lidar com elas.

Estimule os comportamentos desejados

Junto a equipe de profissionais, crie estratégias que estimulem os comportamentos desejados. Elas precisam ser desenvolvidas individualmente, pois são focadas nos desafios de cada um.

Ensine comportamentos de substituição

Também com o auxílio da equipe profissional e parte da estratégia, ensine habilidades que a criança possa usar para comunicar-se e que substituam o comportamento desafiador.

Estratégias na hora da crise

Quando a criança já está desorganizada e apresentando agitação excessiva ou raiva, ela não é capaz de raciocinar com clareza. Portanto, nesse momento, a principal preocupação é manter a sua segurança e a das pessoas ao redor:

  • leve a criança para um local mais calmo;
  • tente iniciar uma atividade calmante e que você sabe que é familiar à ela;
  • mantenha a calma, sendo gentil e paciente;
  • dê espaço à criança;
  • forneça instruções em linguagem clara e objetiva;
  • elogie as tentativas de autorregulação;
  • quando a criança se acalmar, converse sobre a situação e possíveis respostas mais adequadas.
Quando comportamentos graves e perigosos representam risco de dano físico ao indivíduo ou a outros, restrições físicas ou isolamento como uma intervenção breve são às vezes necessários para manter a segurança.

Porém, isso deve ser sempre o último recurso, pois pode trazer sérias consequências físicas e emocionais para a criança.

Busque orientação profissional e treinamento. Essas orientações nos ajudam muito!

O autismo pode trazer muitos desafios para a família, especialmente quando um ente querido exibe comportamentos que são desafiadores, perturbadores ou perigosos.

É importante obter ajuda. Chore quando precisar. Conte com seus amigos, parentes e outras pessoas como apoio. Conecte-se com outros pais que estão enfrentando desafios semelhantes, troquem histórias e desabafem juntos. Dê pequenos passos e comemore o crescimento e as conquistas ao longo do caminho.