Problemas sensoriais no autismo: quais são e como lidar com eles?

Problemas sensoriais no autismo: quais são e como lidar com eles?

Diversos estudos apontam que grande parte das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vivenciam certas experiências sensoriais de formas diferentes. Em outras palavras, pessoas com esse tipo de transtorno podem ser muito ou pouco sensíveis (hipersensíveis ou hiposensíveis) a estímulos como luz, temperatura, sons, comidas, roupas, cores etc.

Isso acontece porque o cérebro se encontra imaturo e o processamento das informações, recebidas do ambiente por meio da visão, audição, tato, olfato, paladar, movimento e posição do corpo, não ocorre de forma adequada.

Sendo assim, separamos o dia de hoje para conversar um pouco sobre essas questões sensoriais do autismo para:

  • ajudar os pais e responsáveis a identificarem esse tipo de comportamento em seus pequenos;
  • informar um maior número de pessoas sobre esse assunto;
  • orientar as famílias sobre como proceder caso haja uma suspeita de hipersensibilidade ou hipossensibilidade.

Vamos lá?

Quais são os principais problemas sensoriais no autismo?

1. Visão

Algumas crianças podem gostar MUITO de certas cores (principalmente aquelas mais brilhantes e chamativas), ou apertar/fechar os olhos quando expostas a elas, ou até mesmo à claridade.

Dicas para lidar com a hipersensibilidade na visão:
  • manter o ambiente um pouco mais escuro, com iluminação natural e/ou incandescente;
  • oferecer à criança óculos escuros ou viseiras para bloquear a luminosidade durante os passeios diurnos.
2. Tato

Algumas crianças gostam de sentir texturas diferentes e, inclusive, esfregar-se nelas. Os exemplos mais comuns incluem tecidos, materiais diversos (geléias, massinhas), água etc.

No entanto, o oposto também acontece. Muitos pequenos se sentem extremamente incomodados, por exemplo, com certas roupas, lençóis, acessórios (incluindo luvas, meias etc) ou até mesmo no contato com grama, areia, entre outros.

Quando esse desconforto acontece, é possível notar que a criança fica irritada e/ou inquieta com a situação, evitando o contato de todas as formas possíveis.

Algumas crianças com TEA podem, ainda, não se sentir confortáveis com abraços, carinhos e qualquer outro tipo de toque (carregar no colo, medir a temperatura, dar as mãos, pentear os cabelos etc).

 

Dicas para lidar com a hipersensibilidade no tato:
  • pedir permissão para tocar a criança;
  • atentar-se às preferências do pequeno com relação a tecidos (tanto das roupas quanto das toalhas, lençóis, colchas e acessórios como luvas, meias etc);
  • ofertar à criança experiências com diversos tipos de texturas por meio de brinquedos interativos e experimentações divertidas. O importante aqui é não criar grandes expectativas e não insistir com a criança, os pais podem preparar o ambiente para a brincadeira e convidá-la a experimentar respeitando a decisão de querer tocar ou não naquela textura (veja alguns exemplos de atividades e brincadeiras interessantes para trabalhar esse aspecto do pequeno com TEA clicando aqui).
3. Paladar

A maioria das “exigências culinárias” dos pequenos com autismo dizem respeito à seletividade dos alimentos que possuem certas cores, sabores e texturas. Muitas crianças podem dar preferência a alimentos de sabor forte como cebola, alho, azeitona etc, enquanto outras nem sequer encostam em alimentos moles e molhados como feijão e macarrão.

Dicas para lidar com a hipersensibilidade no paladar:
  • observar as preferências da criança e se guiar por elas. Com o tempo, procure introduzir novos sabores para acostumar e incentivar o pequeno, gradualmente, a explorar outros alimentos;
  • atente-se às necessidades nutricionais do pequeno. Se ele tiver aversão a alimentos importantes como peixe ou folhas diversas (alface, rúcula, almeirão etc), peça ajuda a um nutricionista ou nutrólogo para substituí-los por opções mais atrativas.
4. Olfato

Diretamente ligado ao paladar, o olfato é capaz de fazer com que uma criança demonstre MUITO interesse por certos alimentos/objetos, ou sinta extrema repulsa a eles.

Dicas para lidar com a hipersensibilidade no olfato:
  • evite usar produtos fortemente perfumados tanto em você, quanto na criança com TEA e no ambiente (perfumes, materiais de limpeza, purificadores de ar, sabonetes etc). Dê preferência a produtos neutros e com aromas leves.
5. Audição

É bastante comum que as crianças com TEA não consigam ficar em ambientes barulhentos, ou reajam negativamente a certas músicas e palavras. Quando isso acontece, elas costumam tapar os ouvidos para bloquear esse tipo de estímulo.

No entanto, vale ressaltar que alguns pequenos com autismo sentem uma necessidade até mesmo extrema de escutarem música e/ou certos ruídos para conseguirem se manter calmos e concentrados.

Dicas para lidar com a hipersensibilidade na audição:
  • ofereça à criança tampões ou fones de ouvido em ambientes barulhentos;
  • na medida do possível, mantenha os sons dentro de casa mais baixos (eletrodomésticos, televisão etc).
6. Movimento

Algumas crianças com TEA podem ter um equilíbrio instável, muitas vezes parecendo ser desajeitadas e ter uma coordenação motora ruim. Elas costumam cair e bater nos móveis com mais frequência e, por vezes, apresentam má postura ou fadiga.

Por outro lado, crianças que têm sintomas marcantes na área das habilidades sociais e interação, podem ser extremamente ágeis e habilidosas em atividades motoras (como é o caso de Lionel Messi, uma das grandes personalidades do futebol que, aos 8 anos, foi diagnosticado com Asperger).

Como lidar com a hipersensibilidade no movimento:
  • caso você note algo de incomum na forma como a criança anda ou se movimenta, acione a sua equipe médica para receber melhores orientações de como proceder.
7. Dor

Crianças com transtorno do espectro autista processam a dor de forma variada. Enquanto algumas parecem ser muito sensíveis a machucados e pequenos atritos desconfortáveis, outras nem sequer notam que há algo de errado com elas (como acontece no caso de cólicas, dores de cabeça, traumas etc).

Existe a hipótese de que elas não são necessariamente “resistentes” ou “alheias” à dor, mas sim que a expressão de forma diferente. No mais, para todos os casos, é importante conversar com a equipe médica e contar com a ajuda dela para identificar possíveis sinais e expressões faciais que possam indicar o desconforto.

Como lidar com a hipo ou hipersensibilidade à dor:
  • caso você note algo de errado/incomum na forma como a criança percebe e reage à dor, acione a equipe médica responsável por ela para receber melhores orientações de como proceder.

E, por fim: quais tipos de terapias podem ajudar nas questões sensoriais de uma criança com TEA? (H₂)

  • Terapia ocupacional: a abordagem da integração sensorial auxilia o cérebro a aprender a processar as informações ambientais de forma mais adequada. O terapeuta também pode intervir nas questões de seletividade alimentar e na adequação das tarefas do dia-a-dia para melhor desempenho, mesmo diante das dificuldades sensoriais.
  • Fonoaudiologia: intervém na linguagem, na fala, em movimentos musculares faciais e na deglutição.
  • Terapia cognitivo-comportamental: pode ajudar a aumentar gradualmente a tolerância a diversas experiências sensoriais.

No mais, para saber quais são as melhores opções para o seu filho, não deixe de conversar com a equipe médica responsável por ele, combinado?

Cuidem-se, e até a próxima!