O papel do terapeuta ocupacional no tratamento do autismo

O papel do terapeuta ocupacional no tratamento do autismo

Quando uma criança é diagnosticada com autismo, um dos primeiros tratamentos recomendados a ela é a terapia ocupacional. Isto porque o terapeuta ocupacional avalia e trata uma gama de questões essenciais para o desenvolvimento do ser humano, mas, de modo geral, com atenção voltada à funcionalidade e às ocupações de cada pessoa.

Mas o que exatamente é a terapia ocupacional?

“Ocupação”, no âmbito da TO, é definida como qualquer tarefa que você realiza ao longo do dia, seja as que você deseja fazer, precisa fazer ou que demandem que você faça.

Usando dessa perspectiva, os terapeutas ocupacionais procuram capacitar seus pacientes a realizarem essas tarefas de acordo com suas potencialidades e habilidades, ou mesmo pode os reabilitar para aquela tarefa, ou ainda adaptar as etapas e/ou materiais e ambiente daquela atividade.

Em crianças no espectro autista, esse tipo de abordagem trabalha áreas como:

  • independência (conseguir se alimentar sozinha, usar o banheiro da forma correta, vestir-se por conta própria, ter uma boa higiene pessoal etc);
  • tarefas domésticas (saber como arrumar a própria cama, deixar o quarto organizado, ajudar nos afazeres da casa etc);
  • sono (ter uma boa noite de descanso, estabelecer uma rotina para dormir etc);
  • lazer (brincar em conjunto e individualmente, brincar com função do objeto, uso da fantasia etc)
  • adaptação às demais rotinas (da casa, da escola, das atividades extracurriculares etc);
  • modulação sensorial (ser capaz de receber, processar e responder de modo apropriado os estímulos sensoriais recebidos);
  • coordenação motora;
  • interação social.

E qual é o papel do terapeuta ocupacional nesse processo?

O profissional de terapia ocupacional trabalha em busca do máximo de autonomia e independência possível para o seu paciente. Ele avaliará todas as áreas de ocupação, os componentes de desempenho, as habilidades e, ainda, considerará as demandas da criança e da família.

Além disso, ele vai elaborar um plano de intervenção singular que inclua a participação efetiva da criança durante as sessões, e reavaliará periodicamente as metas estabelecidas para o tratamento.

E por que o terapeuta ocupacional é tão importante para uma criança com TEA?

Veja bem: as crianças que estão no espectro do autismo, geralmente, têm dificuldades na realização de atividades diárias, no aprendizado e na socialização, e em muitos casos, a base dessas dificuldades está relacionada à alguma disfunção sensorial.

O terapeuta ocupacional trabalha com a ocupação humana e aborda diretamente questões sensoriais em sua intervenção. Desta forma, ele é um profissional essencial para o tratamento multidisciplinar de crianças com TEA.

Para entender melhor do que se trata um problema sensorial, imagine que você está sentado(a) em um restaurante com sua família. A maioria das pessoas notaria que o ambiente está mais frio que o normal devido ao ar condicionado, por exemplo. Mesmo assim, seriam capazes de se concentrar na comida e conversar com os outros.

Um paciente com TEA que é mais sensível a uma entrada sensorial como essa já apresentaria dificuldades para se alimentar e interagir com as demais pessoas da mesa, principalmente porque pode notar:

  • o ruído do ar condicionado;
  • a conversa de todas as outras pessoas;
  • a música de fundo;
  • a movimentação dos garçons;
  • o som das cadeiras se arrastando no chão;
  • a intensidade da luz do local;
  • o barulho dos talheres;
  • se incomodar com a temperatura baixa do ar condicionado;
  • e por aí vai.

Este, para se ter ideia, é apenas um dos milhares de exemplos do que uma criança no espectro do autismo pode enfrentar todos os dias. Sendo assim, não é de se admirar que ela possa ter alguns problemas para completar suas atividades diárias enquanto tenta processar todos os estímulos à sua volta.

Um TO trabalhará, então, para identificar todo o processamento sensorial da criança e, por meio de uma série de atividades durante as sessões, auxiliará a criança para que os sentidos se integrem e ela possa responder adequadamente ao ambiente a partir das informações recebidas, e realizar as ocupações próprias de sua idade.

Que tipo de problemas um processamento sensorial desregulado pode causar?

A criança, sem as intervenções de um terapeuta ocupacional, pode ter dificuldades para:

  • comer (já que os alimentos têm muitas texturas diferentes);
  • vestir-se sozinha;
  • tomar banho;
  • andar de carro;
  • trabalhar;
  • comparecer a eventos sociais;
  • interagir-se com outras pessoas;
  • e uma série de outras atividades menos ou mais complexas.

Enfim…

É importante saber, então, que a terapia ocupacional atua fortemente nos quadros de autismo, considerando cada paciente, o que ele experimenta de dificuldades, suas demandas específicas e potencialidades.

Caso você queira saber mais sobre essa profissão, ou tirar quaisquer outras dúvidas sobre o assunto, entre em contato conosco!