Como preservar a saúde mental dos pais de crianças com autismo?

Como preservar a saúde mental dos pais de crianças com autismo?

Os cuidados com a saúde mental, principalmente em tempos de COVID-19, nunca se fizeram tão necessários. Afinal, apesar de essa doença ser o “centro das atenções”, precisamos discutir os impactos emocionais que ela pode causar não somente às pessoas, mas a quem cuida delas também!

Pensando nisso e aproveitando a temática do Janeiro Branco, nosso convite de hoje é uma reflexão sobre como preservar a saúde mental e emocional dos pais/cuidadores de crianças com autismo.

Por que é preciso cuidar de quem cuida?

O diagnóstico do autismo costuma ser emocionalmente desafiador para todos os membros da família, principalmente aqueles que são mais próximos da criança. Afinal, é necessário um tempo de aceitação, seguido pela adaptação e, por fim, pela dinâmica diária dos tratamentos, abordagens e terapias.

Tudo isso, quando administrado de forma incorreta (e, de vez em quando, até mesmo correta), pode levar a imprevistos, tensões, frustrações e angústia. Isso, a longo prazo, acarreta condições como ansiedade, pânico, depressão, burnout e por aí vai.

Atenção: quando dizemos “incorreta”, estamos nos referindo às condutas inapropriadas do cuidador para com ele mesmo. Isso acontece, na maioria das vezes, quando ele coloca tudo e todos em primeiro lugar e, consequentemente, negligencia as próprias necessidades (físicas e mentais).

Sabe aquela velha história das máscaras de avião? Veja bem: para que nós possamos proteger o outro durante uma queda, precisamos, antes, colocar a máscara em nós mesmos. Assim, teremos força e consciência para cuidarmos do próximo. Bem… o mesmo vale para qualquer circunstância que envolva os protocolos de uma doença em que o paciente depende diretamente do seu cuidador.

Sendo assim, para cuidar bem de uma criança com TEA e dar a ela todo o suporte necessário, é preciso disposição, dedicação, saúde e informação. Porém, é humanamente impossível conseguir tudo isso quando não se tem forças até mesmo para levantar da cama pela manhã.

Confira, agora, algumas dicas de como manter a saúde mental quando se cuida de uma criança com autismo.

O que fazer para cuidar da saúde mental quando se é o responsável por uma criança com autismo?

1. Informe-se

O primeiro passo para preservar a saúde mental quando se cuida de um pequeno com TEA é entender os padrões e dinâmicas dessa condição. Para isso, converse com a equipe médica da criança, faça cursos capacitantes, leia bastante sobre o assunto e entre de cabeça neste universo!

Acredite: quanto mais você souber sobre o autismo, mais você entenderá alguns comportamentos e atitudes da criança. Além disso, ficará ainda mais fácil planejar e executar, por exemplo, estratégias de aprendizado e autonomia que REALMENTE funcionarão para o pequeno.

2. Peça ajuda!

Existem muitos pais e responsáveis que, frente a um diagnóstico como o de autismo, abrem mão de seus trabalhos e vidas sociais para se dedicarem inteiramente aos filhos. Pois bem: apesar de essa ideia ser extremamente bela e inspiradora, sua prática é completamente oposta!

Todos nós somos seres individuais. É claro que assumir o papel de pai/mãe já é algo grande, que exige bastante dedicação e esforço. Porém, não podemos nos esquecer de nós mesmos, dos nossos momentos, do nosso descanso, da nossa saúde e do nosso bem-estar.

Entenda que a ocupação de cuidar do outro não precisa ser somente sua. Se possível, procure por ajuda profissional, ou acione a família para que a criança tenha tudo o que precisa sem sobrecarregar seus cuidadores. Dessa forma, todos conseguem exercer suas funções sem se sentirem consumidos pela circunstância.

3. Separe um tempo para si mesmo!

Aproveitando a temática da dica acima, certifique-se de cuidar bem de si mesmo durante o tempo livre. Afinal, você só não merece como precisa disso para manter uma boa saúde mental.

Dedique-se às suas atividades favoritas, saia um pouco de casa, encontre-se com pessoas queridas (seguindo os protocolos de proteção!) e, durante essas atividades, pense em você mesmo e o quanto isso lhe fará bem. A culpa, neste e na maioria dos casos, não ajuda em nada.

4. Dedique-se à própria saúde emocional

Existem muitas formas de preservar pela saúde emocional. A prática de exercícios físicos, por exemplo, é essencial para quem sente a necessidade de descarregar as emoções e tensões, e liberar um pouco de endorfina (hormônio do prazer) do organismo.

Para além dessa alternativa, ainda existem meios como:

  • praticar yoga;
  • fazer meditações guiadas e ter controle da respiração;
  • dedicar-se mais à espiritualidade (independentemente da presença ou ausência de religiões);
  • fazer trabalhos voluntários;
  • permitir-se relaxar;
  • recorrer à terapia.

O importante, aqui, é não negligenciar, em hipótese alguma, as próprias necessidades e emoções.

No mais…

Lembre-se de que o cuidado, não importa com o que seja, exige disposição física e emocional para ser realizado. Sendo assim, ao dedicar sua vida em função do outro, nunca deixe de olhar para as próprias necessidades e cuidar de si mesmo para que tudo seja feito da melhor forma possível para todos, combinado?

Um abraço, e até a próxima!