Dificuldades alimentares no TEA: o que você precisa saber?

Dificuldades alimentares no TEA: o que você precisa saber?

São raros os pais que, em algum momento de suas vidas, não precisam lidar com os acessos de raiva, seletividade ou resistência dos seus filhos, principalmente quando o assunto é a comida! Porém, quando essa criança é autista, os desafios alimentares podem ser ainda maiores.

Um dos principais sinais do TEA é a dificuldade que os pacientes neste espectro têm em relação às refeições. Isso acontece, em grande parte, devido a uma série de sensibilidades que eles costumam ter com relação às comidas e suas texturas, aparências e aromas.

Além disso, não podemos excluir os diferentes aspectos do ambiente ao seu redor. Afinal, comer em ambientes muito iluminados, cheios, barulhentos e repletos de estímulos pode ser extremamente difícil para uma criança com autismo.

Pensando nisso, reunimos uma série de dificuldades alimentares que uma pessoa com TEA pode ter ainda na infância. O objetivo é fazer com que vocês, queridos leitores, consigam identificá-las com mais facilidade e, claro, intervir da forma correta (e precoce). Vamos lá?

Dificuldades alimentares da criança autista (e como tentar resolvê-las)

Nossa equipe separou exemplos comuns de algumas dificuldades que a criança com TEA pode enfrentar durante uma refeição. Elas variam desde as peculiaridades sensoriais de cada alimento, até um distúrbio alimentar.

Ao final de cada item, como prometido, colocamos uma dica de como lidar com ele. Porém, é preciso entender que as soluções aqui apresentadas podem funcionar perfeitamente com algumas crianças, e falhar com outras.

Portanto, independentemente do que você aprender com este artigo, certifique-se de sempre tirar suas dúvidas com a equipe médica responsável pelo tratamento do(a) seu(sua) filho(a), combinado?

1. As experiências sensoriais

Muitas crianças autistas experimentam dificuldades sensoriais como, por exemplo, serem mais ou menos sensíveis aos sons, cheiros, imagens, sabores e texturas.

Tudo isso pode não só afetar a experiência das refeições, como interferir na relação do paciente com os alimentos e, pior ainda, gerar uma ansiedade em torno deles.

Sendo assim, procure se comunicar de forma clara com o(a) seu(sua) filho(a) sobre a importância da alimentação para a vida dele, e tente enaltecer as comidas que ele(a) tem mais problemas para se adaptar. Isso pode ser feito por meio de histórias, músicas, associação de imagens e por aí vai.

Se preciso, trabalhe a questão das texturas por meio de brincadeiras e materiais que permitem à criança explorar uma série de formas, consistências, cheiros, barulhos e gostos diferentes.

Caso haja dificuldade, ou poucos resultados, procure pela opinião de profissionais da área.

2. O ambiente

Uma série de fatores podem tornar a alimentação de uma criança com TEA insuportável. Aqui, vamos conversar um pouco sobre o ambiente escolhido para o momento de sua refeição.

Entenda: pessoas no espectro autista podem ser extremamente sensíveis a fatores como o material da cadeira e mesa em que se sentam, o formato destas, o som ao seu redor, a quantidade de pessoas no local, as cores e decorações em volta e por aí vai.

Tudo isso, acredite, pode fazer com que ela fique estimulada demais para comer, recusando o prato e, na maioria das vezes, sentindo-se extremamente irritada e acuada.

Sendo assim, o melhor caminho é entender o que pode estar incomodando a criança e, gradualmente, fazer alterações no ambiente para torná-lo mais aconchegante e apropriado para uma boa alimentação.

Explore recursos como colocar músicas calmas ao fundo, reduzir ou aumentar a iluminação do cômodo, pensar em alternativas diferentes caso o pequeno não goste de comer à mesa etc. No fim, tudo vai depender das preferências e necessidades do seu filho, então preste bastante atenção e procure se adaptar a elas!

3. O prato (e sua apresentação)

Pessoas que são muito sensíveis a cheiros, texturas, cores e sabores podem preferir um prato menos temperado, ou com comidas mais leves. O oposto também acontece. Uma criança que tem o paladar pouco sensível tende a gostar de alimentos mais fortes e presentes.

O mesmo vale para o aspecto da mistura, com a preferência por alimentos coloridos ou opacos, e para o formato destes (separados, misturados, batidos, cozidos, in natura etc).

Tudo isso faz parte do processo de aprendizado e adaptação à alimentação, principalmente no universo do TEA. A dica aqui, então, tem mais a ver com se certificar de que a criança está recebendo a quantidade de vitaminas e nutrientes suficientes para crescer bem, do que fazer com que ela “coma algo”.

Experimente, então, modificar os alimentos para melhorar a experiência sensorial da pessoa, por exemplo, fazendo um purê, uma sopa ou, ainda, introduzindo um novo alimento ou textura gradualmente em sua dieta. Primeiramente, deixe a criança apenas olhar para o prato. Depois, encoraje-a a tocar os alimentos e a convide a cheirá-los e colocá-los na boca.

Por fim, se preciso, procure pela ajuda de um nutricionista infantil. Assim, vocês poderão pensar em refeições extremamente gostosas, ricas, adaptadas e prazerosas para a criança!

4. O desconforto ou a condição subjacente

Uma dor física ou qualquer tipo de desconforto/condição subjacente podem afetar a forma como uma pessoa se alimenta. Pensando em crianças com TEA, que tendem a ser mais sensíveis a determinados estímulos, uma simples dor de barriga ou de dente, por exemplo, já pode ser o suficiente para cancelar uma refeição!

Além disso, ainda existem condições, sentimentos e até mesmo medicamentos que podem interferir no apetite da criança. Portanto, o melhor a se fazer é tentar se comunicar com o pequeno. Procure saber se ele está se sentindo bem.

Para isso, você pode trabalhar com palavras-chave, imagens, escalas de estresse/dor visual e por aí vai. O importante é fazer com que a criança consiga comunicar seu desconforto!

5. As obsessões, manias ou rotinas

Muitas pessoas no espectro autista possuem obsessões e/ou manias. Tudo isso pode levar a uma alimentação excessiva, insuficiente ou rígida. Em outras palavras: ela pode variar desde a compulsão alimentar, até a obsessão por comer apenas os alimentos que não estão misturados, ou fazer suas refeições SEMPRE em um horário específico.

A melhor forma de explorar esse tipo de mecanismo do autismo para o bem, equilibrando a alimentação da criança e aliviando as obsessões desta não só com relação às refeições, como todo o resto, é procurar pela ajuda de um terapeuta ocupacional.

Aliás, para saber qual é o papel desse profissional no tratamento de um pequeno com autismo, clique aqui.

Enfim…

Em caso de dúvidas e outras dificuldades relacionadas à alimentação do seu pequeno, não deixe de entrar em contato conosco, combinado?

Um abraço, e até a próxima!