Autismo e agressividade: qual é a relação?

Autismo e agressividade: qual é a relação?

O transtorno do espectro do autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento. A neurociência nos mostra que existe uma hiperexcitabilidade do sistema nervoso associada a questões sensoriais, epilepsia e irritabilidade. É como se os neurônios estivessem muito ativos, e precisam de uma regulação. E essa regulação pode ser feita com o apoio de psicofármacos e com o apoio das terapias.

Quando falamos em irritabilidade, podemos ver como resultado um comportamento agressivo, violento com outras pessoas, ou até mesmo autolesivo. O pequeno pode bater a cabeça, mutilar-se, atirar objetos ou chutar os outros, por exemplo.

O ato de agressividade no autismo, por sua vez, costuma acontecer porque a criança fica frustrada, angustiada ou agitada, principalmente devido a fatores como:

  • dificuldade de flexibilização, pois tendem a ter comportamentos repetitivos e restritos, o que causa incômodo quando precisam mudar o comportamento devido ao contexto que estão inseridos.
  • ter dificuldade para entender o que está acontecendo ao seu redor – por exemplo, entender o que outras pessoas estão dizendo ou fazendo;
  • não conseguir comunicar, expressar seus próprios desejos e necessidades;
  • estar muito ansiosa e tensa;
  • ter certas sensibilidades sensoriais, como hipersensibilidade ao ruído, a lugares muito cheios, a diferentes texturas e gostos etc.

E como lidar com essa situação?

O primeiro passo para lidar com comportamento, é fazer uma análise funcional do mesmo para entender os motivos pelos quais a criança adota tal comportamento. Para isso, procure identificar os seguintes fatores:

  • antecedentes: são os “gatilhos” que despertam irritabilidade e frustração no(a) pequeno(a);
  • comportamento: como ele(a) responde a esses gatilhos;
  • consequências/recompensas: o que ele(a) ganha ao se comportar de forma agressiva, como poder continuar com uma atividade favorita ou sair de uma situação estressante.

Assim que o próximo episódio de fúria acontecer, o mais importante é se manter calmo(a) e analisar a situação, se possível, de forma detalhada. Durante esse processo, é importante entender que a criança não se torna hostil por mal, ou de propósito. Ela apenas não sabe como administrar a situação e suas emoções sobre esta e, por isso, precisará da sua ajuda para isso.

Procure, então, perguntar-se: “Será que ele(a) está tentando me dizer algo?”. Por exemplo: se seu(sua) filho(a) não gosta de arroz e não quer comê-lo, e não consegue expressar essa “repulsa” por meio das palavras, pode ser que ele(a) tente derrubar o prato no chão, ou até mesmo bater em você como uma forma de dizer: “Tire isso daqui, eu não quero!”.

Vá fazendo isso aos poucos

Como agir durante uma crise de fúria

Dar à criança o que ela deseja pode reforçar o comportamento agressivo e até mesmo torná-lo mais frequente. Porém, não estamos falando aqui somente de um ato disciplinante, mas sim de uma situação peculiar e muito comum em pessoas com TEA. Logo, reprimir todo ato violento sem entender o que há por trás dele é, de certa forma, ignorar as necessidades do(a) seu(sua) filho(a).

A melhor estratégia, então, é identificar a função do comportamento, quais são os gatilhos para evitar que eles se repitam. Assim, fica mais simples e leve prevenir um comportamento potencialmente agressivo.

Além disso, não deixe de procurar ajuda profissional para saber como ensinar a criança a se expressar de uma forma clara. Isso pode ser feito por meio das terapias como: terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia, medicamentos e por aí vai. Tudo vai depender das necessidades do(a) pequeno(a), e das habilidades que ele(a) já desenvolveu durante o crescimento!